Como eu não percebi antes que meu Pet tem doença renal crônica?


A Doença renal crônica (DRC) possui um início silencioso, insidioso e progressivo. Muitas vezes o diagnóstico só é feito quando o paciente já está em um estágio avançado (leia mais sobre Estadiamento da DRC) da doença e quando um tutor recebe a notícia que seu pet possui esta condição, ele costuma se perguntar “Como não percebi isso antes?”.


Se para os clínicos veterinários já é um grande desafio diagnosticar precocemente a DRC, então imagina para o tutor, muitas vezes leigos no assunto. Por esse motivo, é sempre importante o trabalho em conjunto com especialistas capacitados para diagnosticar e iniciar o tratamento imediatamente.


Mas o que leva a DRC se manifestar de forma mais evidente somente nos estágios mais avançados?


Para responder esta pergunta precisamos considerar a reserva funcional dos rins. Na maioria das doenças renais, os sinais clínicos só começam a se manifestar depois de uma perda considerável de néfrons (unidade funcional dos rins). Até ocorrer uma perda significativa, ou seja, geralmente superior a 75% do tecido renal funcional, os rins conseguem compensar a função dos néfrons mortos por um mecanismo de Hipertensão, Hiperfiltração e Hipertrofia Glomerular. De forma simplificada, os néfrons remanescentes sofrem alterações hemodinâmicas (aumento de pressão intraglomerular), que os fazem filtrar mais (hiperfiltração), compensando a perda dos néfrons vizinhos. O problema é que, com o tempo, este trabalho excessivo faz com que estes néfrons comecem a hipertrofiar (por perda de proteínas ou ação de substâncias pró-fibróticas) e também perdem suas funções. Este fenômeno explica o porque da DRC ser uma doença de início silencioso e progressivo.


Além disso, outros fatores como por exemplo o distúrbio ósseo-mineral renal, distúrbios hidro-eletrolíticos e ácido-base, proteinúria, hipertensão arterial, infecções urinárias, anemia, dislipidemias e distúrbios de coagulação também são responsáveis pela progressão do quadro.



Mas existem sinais que podem indicar que nossos pets estão iniciando um quadro de DRC. Aumento da ingestão de água (polidipsia) e produção de urina (poliúria) são sinais comuns que ocorrem nos estágios iniciais da doença. Vômitos ou diarreias esporádicos, perda progressiva de peso, doença periodontal severa também são sinais que podem indicar o início do quadro.



Nas fases iniciais, o diagnóstico não é fácil, pois os marcadores de função renal mais habituais (creatinina e ureia) só aumentam quando já há perda superior há aproximadamente 66% de tecido renal funcional. Para um diagnóstico precoce, a avaliação da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), por meio de testes de depuração de creatinina endógena ou exógenas já é capaz de diagnosticar uma perda de aproximadamente 20% da função renal. Outros exames, como urinálise, relação proteínas/creatinina urinária, microalbuminúria, SDMA (dimetilarginina simétrica) também são de grande valia no diagnóstico precoce.



Infelizmente, quando só conseguimos estabelecer o diagnóstico em fases avançadas, o especialista capacitado tem um papel extremamente importante para explicar ao tutor que, o mesmo não tem culpa por não ter percebido o quadro antes, pois a frustração e o sentimento de culpa podem fazer com que o tutor tenha dificuldade de assimilar o tratamento, o que leva a um resultado não muito favorável. O tratamento da DRC é muito complexo e necessita que o tutor esteja 100% concentrado e comprometido, para termos o melhor resultado, consequentemente oferecendo a melhor qualidade de vida aos nossos mascotes.



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